Este espaço é para compartilhar temas variados...também uma oportunidade de homenagear nossos pensadores preferidos.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

VIDA E VIVÊNCIA...

"Se observarmos como alguns indivíduos sabem lidar com suas vivências - suas insignificantes vivências diárias -, de modo a elas se tornarem uma terra arável que produz três vezes por ano; enquanto outros - muitos outros! - são impelidos através das ondas dos destinos mais agitados, das multifárias correntes de tempos e povos, e no entanto continuam leves, sempre em cima,como cortiça: então ficamos tentados a dividir a humanidade numa minoria que sabe transformar o pouco em muito e numa maioria que sabe transformar muito em pouco; sim , deparamos com esses bruxos ao avesso, que, em vez de criar o mundo a partir do nada, criam o nada a partir do mundo " ( Nietzsche)

sábado, 12 de julho de 2008

... SOLIDÃO

" ...Solidão não é estar só. Quem está desacompanhado está só, enquanto a solidão se manifesta mais nitidamente na companhia de outras pessoas.
...Na opinião de Epicteto ( o filósofo escravo), o homem solitário vê-se rodeado por outros com os quais não pode estabelecer contato e a cuja hostilidade está exposto. O homem só, ao contrário, está desacompanhado e, portanto, " pode estar na companhia de si próprio" ,já que os homens têm capacidade de " falar consigo mesmos". Em outras palavras, quando estou só, estou " comigo mesmo" , em companhia do meu próprio eu, e sou, portanto, dois-em-um; enquanto, na solidão, sou realmente apenas um, abandonado por todos os outros. A rigor, todo ato de pensar é feito quando se está a sós, e constitui um diálogo entre eu e eu mesmo; mas esse diálogo dos dois-em-um não perde o contato com o mundo dos meus semelhantes, pois que eles são representados no meu eu, com o qual estabeleço o diálogo do pensamento. O problema de estar a sós é que esses dois-em-um necessitam dos outros para que voltem a ser um - um indivíduo imutável cuja identidade jamais pode ser confundida com a de qualquer outro ...
...O que torna a solidão tão insuportável é a perda do próprio eu, que pode realizar-se quando está a sós, mas cuja identidade só é confirmada pela companhia confiante e fidedigna dos meus iguais. Nessa situação, o homem perde a confiança em si mesmo como parceiro dos próprios pensamentos, e perde aquela confiança elementar no mundo que é necessária para que se possam ter quaisquer experiências. O eu e o mundo, a capacidade de pensar e de sentir, perdem-se ao mesmo tempo." ( Hannah Arendt)

sexta-feira, 4 de julho de 2008

FRAGMENTOS...

"...Sabei, quem quer que sejais, que o mundo existe para vós. Não há limites para as possibilidades do homem. Em cada homem há um anjo disfarçado...

...Este mundo pertence aos alegres, aos enérgicos, aos ousados. O vosso nascimento neste mundo não foi um erro. Sois um convidado para o banquete da vida. E aquele que vos enviou o convite não é hospedeiro mesquinho. A generosidade divina está oculta em algum lugar, atrás do mistério da criação. Há inteligência e boa vontade no coração das coisas.

...Reside a beleza da Amizade no reconhecimento da relação última que existe de homem para homem. A essência da amizade é a inteireza, o conhecimento intuitivo de que vós e eu somos uma unidade indivisa. Quando estamos na presença de nossos amigos quedemo-nos em silêncio para que possamos ouvir o múrmurio dos deuses. E na música desse múrmurio podemos sentir o fluir de duas almas numa só. Sempre que dois amigos travam uma conversação há uma terceira pessoa presente - Deus.

...A única maneira de ter um amigo é ser um amigo..." ( Ralph W. Emerson)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

REFLEXÕES

"...A vontade é a base do caráter. Devemos ter vontade forte e não ceder aos fracos por compaixão, pois uma natureza superior pode ser arruinada se ceder sempre para uma natureza inferior. Ter o hábito de ceder sempre acaba por minar o caráter levando ao fracasso e a ruína.

...O diálogo é o único vínculo capaz de unir duas pessoas, seja no casamento ou na amizade.Mas para que haja diálogo, é necessário que existam interesses comuns.

...O ódio e o amor não podem habitar ao mesmo tempo numa alma. O amor é alimentado pela imaginação através da qual nos tornamos mais sábios do que sabemos, melhores do que nos sentimos, mais nobres do que somos, capazes de ver a vida como um todo, através do qual, e só através dela, chegamos a entender os outros tanto em sua relação real quanto ideal. Só o que é superior e superiormente concebido pode alimentar o amor, mas qualquer coisa alimenta o ódio.

...Sob o aspecto intelectual, o ódio é a eterna negação, sob o aspecto emocional ele é visto como uma forma de atrofia que destrói tudo, menos a si próprio.

...É preciso que entendamos as coisas por nós mesmos, é inútil explicar a alguém aquilo que ele não sente e não é capaz de entender. " ( Oscar Wilde)

terça-feira, 1 de julho de 2008

A ESPERANÇA DO MUNDO

" Seria a opressão tão antiga quanto o musgo dos lagos?
Não se pode evitar o musgo dos lagos.
Seria tudo o que vejo natural, e estaria eu doente, ao desejar remover o irremovível?
Li canções dos egípcios, dos homens que construiram as pirâmides. Queixavam-se do seu fardo e perguntavam quando terminaria a opressão. Isto há quatro mil anos.
A opressão é talvez como o musgo, inevitável.


...Quanto mais numerosos os que sofrem, mais naturais parecem seus sofrimentos, portanto. Quem deseja impedir que se molhem os peixes do mar?
E os sofredore mesmos partilham dessa dureza contra si e deixam que lhes falte bondade entre si.
É terrível que o homem se resigne tão facilmente com o existente, não só com as dores alheias, mas também com as suas próprias.
Todos os que meditaram sobre o mau estado das coisas recusam-se a apelar à compaixão de uns por outros. Mas a compaixão dos oprimidos pelos oprimidos é indispensável.
Ela é a esperança do mundo." ( Bertolt Brecht)